Quem for aos cinemas conferir o desenho animado "A Princesa e o Sapo" vai se deparar com a mais brasileira produção que o Walt Disney Studios já fez.


Isso porque além da participação do ator Bruno Campos fazendo a voz do príncipe Naveen, interesse romântico da protagonista do filme, a jovem Tiana, o longa teve parte de sua produção realizada no Brasil.


O responsável pela façanha é o estúdio HGN Produções, localizado na cidade de São Paulo. Nele foram produzidas as etapas de interpolação (movimentos intermediários), clean up (traço final), pintura e composição digital do longa.

O convite, explica o fundador do HGN, Haroldo Guimarães Neto, surgiu de forma natural, pois o estúdio já havia trabalhado em séries de televisão da Disney e participou da produção do curta-metragem do Pateta “How to Hook Up Your Home Theather”, produção em 2D que serviu de ensaio para "A Princesa e o Sapo".

"Eles escolheram a dedo os estúdios envolvidos no projeto, que teve início em novembro de 2008 e só acabou em setembro deste ano", explica Haroldo. "Para tanto tivemos que adaptar o estúdio para trabalhar e enviar diariamente arquivos super-pesados em alta definição."



Entre os processos feitos no Brasil estão os desenhos à lápis de diversas cenas, a movimentação intermediária das personagens, a pintura digital e pré-composição, que consiste em juntar os cenários com as personagens.

"Recebíamos as cenas inteiras em papel e formato digital, e a partir daí começávamos o nosso trabalho. Lá eles deixaram para fazer os efeitos da animação, como os brilhos das cenas iluminadas pelos vaga-lumes", conta Haroldo.

Apesar do entusiasmo pela retomada da animação em 2D, ele reconhece que o trabalho é bem mais árduo que o realizado nas produções integralmente digitais, onde as personagens já estão criadas e só precisam ser animadas.

"Para fazer um filme em 2D você conta com um exército de artistas que desenham de formas diferentes. Daí vem o desafio desse tipo de animação: fazer com que cada personagem siga o padrão definido pela Disney."



Apesar do grau de perfeccionismo, Haroldo admite que uma pessoa com olhar treinado e compreensão dos processos de produção pode notar diferenças de traços em uma animação. "Quem é da área percebe essas nuances, por exemplo, no primeiro longa do 'Alladin'", completa.

Assim como o produtor John Lasseter, o animador brasileiro aposta no sucesso da produção, que de acordo com ele vem acompanhada de uma campanha de marketing semelhante ao de um grande triunfo da Disney, o longa-metragem "Rei Leão".

"Pelo que vimos na festa organizada pela Disney em Los Angeles, com a cidade coberta por outdoors do filme, a chance de ser um sucesso é enorme. E se você tem um ótimo roteiro, como é o caso de 'A Princesa e o Sapo', é muito difícil isso não acontecer."