Pai diz que Nardoni tem 'coração tranquilo' por não ter feito mal à filha

Ele lamentou comemoração de público durante leitura de sentença.
‘Temos convicção de que eles não fizeram nada’, acredita avô de Isabella


O pai de Alexandre Nardoni, o advogado Antônio Nardoni, disse nesta segunda-feira (29-03-2010) que o filho está com o “coração tranquilo”, porque sabe não ter feito nada contra Isabella. Alexandre e Anna Carolina Jatobá foram condenados na madrugada de sábado (27-03-2010) pela morte da menina, ocorrida há dois anos. O avô de Isabella visitou o filho na penitenciária de Tremembé, neste domingo (28-03-2010). “Ele tem tranquilidade, está com o coração tranquilo, porque sabe que não fez nada contra a filha dele”, afirmou.

Antônio Nardoni afirmou que só tem “a lamentar, porque há outras duas crianças [filhos mais novos do casal] que sofrem com a falta do pai e da mãe”. “É muito difícil para a gente, temos convicção de que eles não fizeram nada. Eu lamento muito que nossa Justiça seja assim, agradando a alguns, sem buscar a verdade”, disse ele. Para o avô de Isabella, o casal foi condenado sem um prova sequer.

Ele também comentou a comemoração fora do prédio do Fórum de Santana, na Zona Norte de São Paulo, durante a leitura da sentença. Pessoas que esperavam o resultado soltaram fogos de artifício e o barulho podia ser ouvido dentro do plenário. “Eu acho lamentável, o Brasil deve ter ganhado a Copa do Mundo. As pessoas estavam comemorando o quê? Que minha neta continua morta e condenaram dois inocentes?”
Antônio e a mãe de Alexandre estiveram com o filho neste domingo (28-03-2010), no primeiro dia de visitas após a condenação. Enquanto seguia para a entrada do presídio, o pai comentou rapidamente sobre a condenação. “Acho que a pena já estava dosada há dois anos", afirmou. Ele disse que ainda crê na anulação do julgamento. “Nesse país, é difícil acreditar em alguma coisa, mas nós acreditamos.”

Os advogados que defendem o casal Nardoni recorreram da condenação neste sábado (27-03-2010), logo após a decisão dos jurados. Até agosto de 2008, o réu tinha direito a ser julgado novamente se a condenação fosse acima de 20 anos. Mas essa regra não existe mais na nova lei. Como o assassinato de Isabella foi antes dessa mudança, alguns juristas acham que a defesa vai poder buscar na Justiça o direito de anular esse julgamento.